Rio de Janeiro

Ronnie Lessa confessa que irmãos Brazão ofereceram 10 milhões de dólares pela morte de Marielle Franco

Em uma revelação bombástica, o ex-policial militar Ronnie Lessa confessou, em delação premiada, que os irmãos Domingos Brazão, ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (TCE-RJ), e o deputado federal Chiquinho Brazão ofereceram US$ 10 milhões pela morte da vereadora Marielle Franco. O crime, que também vitimou o motorista Anderson Gomes, ocorreu em março de 2018 e chocou o Brasil.

A confissão de Lessa foi exibida pelo programa “Fantástico” na noite deste domingo (26). No vídeo, o ex-PM detalha pela primeira vez como foi planejado o assassinato e identifica os irmãos Brazão como os mandantes. “Não é uma empreitada para você chegar ali, matar uma pessoa, ganhar um dinheirinho… Não”, afirmou Lessa durante o depoimento de duas horas.

De acordo com Lessa, os irmãos Brazão ofereceram um loteamento controlado pela milícia na Zona Oeste do Rio como pagamento pelo crime. “Era muito dinheiro envolvido. Na época, daria mais de 20 milhões de dólares. A gente não está falando de pouco dinheiro… ninguém recebe uma proposta de receber dez milhões de dólares simplesmente para matar uma pessoa. Então, na verdade, eu não fui contratado para matar Marielle, como um assassino de aluguel. Eu fui chamado para uma sociedade”.

Planejamento e Execução

O relatório da Polícia Federal indica que o primeiro encontro para planejar o assassinato aconteceu em 2017. Domingos e Chiquinho Brazão contrataram Edimilson de Oliveira, conhecido como Macalé, que era próximo aos mandantes e atuava na Zona Oeste do Rio. Foi Macalé quem convidou Lessa para participar do crime. Segundo Lessa, ele se encontrou três vezes com os mandantes, todas à noite, em locais escuros na Barra da Tijuca.

“Lá foi feita a proposta. A Marielle foi colocada como uma pedra no caminho, porque ela tinha convocado uma reunião com várias lideranças para impedir a adesão de novos loteamentos na milícia. Então, o que foi passado foi o seguinte: A Marielle vai atrapalhar e nós vamos seguir isso aí, para isso ela tem que sair do caminho”, disse Lessa.

Lessa também relatou que solicitou uma pistola para o crime, mas recebeu uma submetralhadora. Após o assassinato, ele devolveu a arma, embora discordasse dessa decisão. “Eles queriam a arma de volta, que foi devolvida ao mesmo lugar de onde saiu por ordem dos irmãos Brazão. A arma foi levada ao Rio das Pedras”, explicou.

Repercussão

Nas redes sociais, o ex-deputado Marcelo Freixo comentou sobre o caso. “O escritório do crime, do qual Ronnie Lessa faz parte, assassinou centenas de pessoas. O Estado se omite no combate ao crime organizado. Só agora, com a execução covarde de Marielle, esse bueiro começa a ser aberto. É preciso transformar a nossa indignação em ação, imediatamente”, afirmou Freixo.

Lessa também mencionou a participação do então chefe da Delegacia de Homicídios da Capital, Rivaldo Barbosa, que, segundo ele, estava ciente e ajudou a direcionar as investigações para outros rumos.

Prisões e Defesas

Desde março de 2018, Lessa está preso, um ano após os assassinatos de Marielle e Anderson. Macalé foi assassinado em novembro de 2021. Domingos e Chiquinho Brazão, e o delegado Rivaldo Barbosa foram presos em março deste ano, enquanto o delegado Giniton Lages, que liderou a investigação inicial, foi alvo de mandados de busca e apreensão.

As defesas dos envolvidos negam as acusações. Os advogados de Domingos e Chiquinho Brazão afirmam que a delação de Lessa é uma “desesperada criação mental” e apontam diversas contradições e inverdades. A defesa de Rivaldo Barbosa alega que ele nunca teve contato com os mandantes e que não há provas concretas contra ele. Já os advogados de Giniton Lages classificam a acusação como “infâmia grosseira”, ressaltando que ele foi o responsável por descobrir a autoria do crime.

A confissão de Lessa e as subsequentes investigações prometem desdobramentos significativos, com a sociedade exigindo justiça para Marielle Franco e Anderson Gomes, enquanto se expõem os bastidores de um dos crimes mais emblemáticos da história recente do Rio de Janeiro.

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